quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Será que a realidade não é brusca demais ? (2)

A missão tradicional do médico é aliviar o sofrimento humano. Se puder curar, cura. Se não puder curar, alivia. Se não puder aliviar, consola.
A morte se revela a nós a todo instante e em todas as circunstâncias, pois o seu registro está em nossas células, em nossas emoções, em nosso racional.
Nós podemos até retardá-la, mas não podemos escapar dela.
E eu fico a imaginar se depois de muito navegar a algum lugar enfim se chega... O que será, talvez, até mais triste. Nem barcas, nem gaivotas. Apenas sobre humanas companhias... Com que tristeza o horizonte avisto, aproximado e sem recurso. Que pena a vida ser só isto ...
A morte e a vida não são contrárias. São irmãs. A "reverência pela vida" exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir.
Tal vida, tal morte.
Se não soubermos encarar a morte como encaramos a vida, tropeçaremos como tropeçamos em vida, cairemos como caimos em vida, perderemos como perdemos em vida. O inicio da vida é o próprio inicio da morte.
Vida e morte, gestadas no acontecimento, no estado tensivo, infinito-finito, vidavivente-vidavivida, jogojogante-jogojogado, instituinte-instituido. Em cada acontecimento, precipitação de uma das infinitas possibilidades do ser-sendo, vivemos e morremos. Vivemos na tensão da perspectiva do acontecimento, morremos na precipitação do acontecimento, e voltamos para o estado tensivo infinito-finito, vidavivente-vidavivida, jogojogante-jogojogado, instituinte-instituido, o eterno retorno. Na gestação do ser-ente está originário do estado tensivo, sem fundamento, a vida e a morte. No cessar do estado tensivo está a morte, finitude, vidavivida, jogojogado, o instituido. Para além da morte o infinito, a vidavivente, o jogojogante, o instituinte, também para além da vida.

CRED.: Rubem Alves, Cecilia Meireles,Gabe, Felippe Perret Serpa.

Paulo Junior (Junex), esteja em paz, onde estiver.

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