quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Será que a realidade não é brusca demais ?

Lembra de quando você era pivete, brincava com seus amigos da rua de pic-esconde, pega-pega, baralho, assistia filme na casa do outro, jogavam bola em frente de casa, saiam na maior renca, parecendo passeio de creche ? Eu lembro. Agora, imagina, alguns anos depois, você deixou de falar com metade dessas pessoas, ou por falta de comunicação mesmo, ou pela distância, que surge durante o tempo, ou alguma briga, coisas que não tem como evitar. E da noite pro dia, você na sua casa, conversando com seus amigos, super bem, e chega a seguinte notícia:
"- Lembra de tal pessoa ?" ou:
"- Você conhece tal pessoa ?"
E você vê a foto, e diz:
"- Logico, conheço desde pivete, a gente brincava junto na rua. Por que ?"
Logo, a sua mente começa a funcionar mais rápido, vem um monte de coisa na sua cabeça, mas também, a barreira de pensar que tenha acontecido algo de ruim, porque, afinal, é seu amigo. E ao mesmo tempo, você tem o seguinte pensamento:
"- Se eu não vejo essa pessoa a muito tempo, ninguem vem falar dela comigo. Por que será que vieram falar agora ?"
Você pergunta isso pra você mesmo, mas já sabe a resposta, sem antes mesmo pensar em perguntar pra qualquer um a sua volta. Você já sabe o que aconteceu, mesmo sem ninguem ter citado nenhuma palavra. Você entra em desespero, não consegue acreditar que aquilo tá acontecendo, com um amigo seu, com você.
"- Comigo ? Vejo coisas na TV que acontecem com outras pessoas, mas, por que agora, e comigo ?"
Inevitável. Ocorrem vários 'flash-backs', você imagina a pessoa, mas não consegue imaginar o estado dela, neste momento. Não consegue acreditar, simples assim. E ai:
"- Porque me veio a notícia, de que ele faleceu."
Faleceu ? Não, quem aos 22 anos, no máximo 25, FALECE ?
Falecer, pra mim, é o simples fato de morrer naturalmente. De causas naturais. Como ele faleceu ? A não ser que tivesse algum problema no organismo, que o deixava vulnerável o bastante pra ter um falecimento. E mesmo assim, não é de causas naturais.
"- Faleceu ? Como assim ? De que ? Quando ? Onde ?"
Você entra em conflito consigo mesmo. Não sabe o que pergunta, e muito menos entende as respostas.
"- Sim. Nem eu to acreditando. Ele sofreu um acidente de moto, fatal. Hoje, mas ainda não sei aonde."
Não acredito. Você acredita ? É assim que todo mundo fica quando perde alguém ? Quando perde um filho ? Um irmão ? Não. É bem pior. Ele era só meu amigo, aliás, só não, ele também era meu amigo !
Querendo ou não, um amigo faz parte da sua vida, da sua história, do seu dia-a-dia, da sua rotina. Mesmo que não seja pra sempre.
Que fita. Falei isso o dia inteiro, ontem, hoje, e acho que eu vou falar pelo menos durante a semana inteira.
Sei lá. Acho que é só isso mesmo. SEE YOUR FEELINGS.

Nenhum comentário:

Postar um comentário